quarta-feira, 26 de maio de 2010

É assim: por Hyaku ( Vale-Tudo Uol Jogos )

É assim (por Hyaku) 

É assim. Se você é homem, por volta dos seus dezesseis acontece o seu primeiro relacionamento -- e talvez o mais sincero que você vai ter na sua vida. Você dá a sorte de encontrar uma garota que ainda não foi reivindicada por algum marmanjo de dezoito, vocês batem um papo e uma hora ou outra acontece. 
Você e a menina tem toda a boa vontade do mundo de se ouvir, mas ao mesmo tempo a sua ilusão de relacionamento estável e platônico vai quebrando e quebrando e quebrando -- mas você não desiste. Ainda está no gás pra começar de novo, tem paciência, tenta mais uma vez e mais uma vez. Afinal de contas ela é o amor da sua vida e vocês vão ficar juntos pra sempre. Né?
Aí você cai do cavalo branco. "É garotão, você não é um príncipe" você escuta. Aí você aprende sua lição ou não. Quando você aprende, você passa a querer ser o vilão da história. Se não... 
Você conhece outra garota um tempo depois, quando passa a fossa e você começa a cair da gandaia. Aí você resolve tentar de novo, por volta dos seus vinte. Depois disso não para nunca. 
Começam a namorar. Ela fica feliz da vida, diz que você parece diferente, que você trata ela bem, é cavalheiro, carinhoso. Ela conta de quando tinha por volta dos dezesseis ela namorava um cara de dezoito que só tratava ela mal. Ela era apaixonada por ele, fazia tudo por ele, dava comida na boca, ia pra casa dele só pra ficar na presença do ilustre enquanto ele assistia a final do brasileirão ou jogava World of Warcraft. 
Aí ela caiu na real e resolveu ir pro mundo, ficou com outros caras, até namorou alguns, mas nunca durou muito. Eles eram babacas iguais ao primeiro. Quando um dia eles se encontraram de novo numa noitada qualquer, ficaram e voltaram a namorar, mas não era a mesma coisa. Até que ela terminou e o cara não conseguia largar do pé dela. 
Você passa a não ir com a cara do maluco, ficar horrorizado e se perguntando "Como assim? Existem pessoas que realmente fazem isso?" e promete pra si mesmo que nunca vai fazer esse tipo de coisa. Aí começam os atritos. 
Aquela vez que você não comentou do cabelo, ou quando seus amigos combinaram com uma semana de antecedência de ir pra um bar relembrar os velhos tempos e ela achou que era obrigação sua sair com ela naquele dia. O dia que ela saiu sem avisar e você ficou preocupado, ou quando ela se estressou com alguma coisa que não quis falar até você se irritar. 
Ela começa a ficar distante, fria, e parece que não tem mais pra onde o relacionamento de vocês ir. Não sobrou nada. Vocês nem fazem sexo mais e ela faz mais questão de ir fazer compras do que passar um tempo com você - independente de todas as suas tentativas de resolver o que está errado. Você chega à conclusão de que ela é maluca, mas você gosta dela. Normalmente ela termina com você no momento em que o relacionamento de vocês estava voltando ao normal. 

Você passa por isso mais que um punhado de vezes, com garotas diferentes, até que um dia você surta. Solta os cachorros na maldita infeliz que estiver com você no momento, termina. Ela conta pra todas as amigas que você é um grandessíssimo f******, elucubra em qualquer oportunidade da vez que você fez o absurdo de deixar ela dias esperando sua ligação, chorando do lado do telefone -- se ouvissem o seu lado da história iam entender que faz todo o sentido. 
Você cogita várias idéias: solteirismo pra vida; vadiagem; libertinagem; virar gay. E você descobre que nada disso serve pra você -- tendo experimentado ou não -- e essa é a hora que você atinge o fundo do poço. Você para de se importar. Perde a compaixão. 

Aí aos vinte e dois você começa a namorar meninas de dezessete. A diferença é que dessa vez você decide que assistir a final da Champions vai ser mais recompensador que dar atenção pra ela; que não decepcionar o seu clã do Warcraft é mais importante do que não decepcionar ela, afinal de contas, eles vão festejar muito mais se você aparecer. 
Ela fica p#@#, mas é apaixonada, e continua a correr atrás de você sempre. Te dá amor, atenção, carinho, tudo que você não tinha com as malucas que você ficava antes. Só que você não liga o suficiente pra ver. 
Ela não agüenta mais, termina com você, fica indignada, e resolve que vai sair pro mundo. Fala mal de você pra todos os outros homens que ela fica. Um dia vocês se encontram, ela ainda sente uma fagulha. Vocês se beijam, e acabam namorando durante um tempo. Mas ela não é mais a mesma e você sente falta da época que ela te dava amor, atenção e carinho. Ela termina com você, e você se arrepende de não ter dado atenção pra única pessoa que aparentemente valia a pena. E você pra sempre vai ser um caso mal resolvido dela, e ela vai contar pra todos os ficantes e namorados daquela vez que você deixou ela esperando aos prantos do lado do telefone, que você deu valor só quando perdeu e ainda é apaixonado por ela. 

E no final você chega à conclusão que o resultado foi exatamente o mesmo. Elas sempre pintam a sua caveira depois que as flores acabam, elas sempre carregam você como um relacionamento ruim e não, elas nunca vão parar. 
E é assim. 

Se o resultado final é o mesmo, o que você prefere? A razão ou o carinho? 

0 comentários: